Todo dia eu entro na internet e chego na mesma conclusão: Só tem besteira. As redes sociais que um dia nos conectaram são só conteúdo sendo jogado na nossa cara a todo momento, projetadas com seus algoritmos que tentam não nos deixar sair (e conseguem, com tanta pressão psicológica que vicia).
Só que cansa, uma hora cansa tanta coisa. Tanto “conteúdo” direcionado “pra mim”. A sacada da televisão era que você fazia parte de um público para qual um programa era feito e com a audiência estimada a emissora vendia o espaço publicitário dentro e entre os programas. As propagandas tinham alvo, mas também tinham que abranger mais pessoas.
Só que na internet eles já tem a sua atenção. Eles já tem os seus dados e sabem o que você gosta e o que não gosta. Com isso passam a vender VOCÊ pra publicidade direcionada. Não temos como escapar, infelizmente. A não ser viver em abas anônimas (supostamente anônimas) pra não deixar nenhum rastro do seu histórico de navegação.
Eu procuro desativar as propagandas direcionadas. Quanto menos souberem de mim, melhor. Quer me vender o seu produto? Tenta aí. Se for bom, eu vou comprar. Se eu quiser, eu vou atrás. Se eu precisar, eu procuro.
Fico sempre com a reflexão do Daniel Furlan no O Último Programa do Mundo: “Tá tentando vender esse seu produto aí, deve ser porque ele é uma merda. Se fosse bom não precisaria fazer propaganda.”
Esse estive vendo sobre a Teoria da Internet Morta e como as imagens geradas por IA estão tomando conta do Facebook, sendo comentadas provavelmente por robôs e assim alimentando todo esse sistema de máquina gerando conteúdo para máquina e interagindo com máquina e etc. Eu não acredito na Teoria da Internet Morta como ela é descrita. Pra mim a Internet como conhecia acabou. Não sei se foi a Web 2.0 ou a Web 3.0. Mas acabou. Encerramos quando o Orkut foi deletado, o Facebook atingiu 500 milhões de usuários, o YouTube começou a ser tomado por contas fantasmas que postavam conteúdo duvidoso, o Windows Live Messenger foi encerrado e o Snapchat se negou a ser vendido para o Facebook.
Se eu tivesse que cravar um evento da história da Internet como as marcações que os geólogos procuram pra demarcar as eras geológicas, foi a recusa do Snapchat em ser vendido para o Facebook. Depois que eles inventaram o Story e não cederam pro poderio do Mark Zuckerberg, ele se vingou copiando a ideia e colocando a ferramenta em TODOS os produtos que a gente usava. E virou tudo a mesma coisa.
Depois tivemos Vine, Musicly (que virou o TikTok), Kwai e etc. que reinventaram a economia da atenção e gerou Reels e Shorts na concorrência…
Até que chegamos na revolução da IA com ChatGPT incorporado ao Bing, Gemini da Google e acabaram com o último resquício da Web 1.0 (ou 2.0?), os motores de busca. Já não se conseguia achar resultados satisfatórios no Google. Houve um tempo que se você digitasse as palavras-chave corretas você achava ouro… Mas ultimamente você só acha lixo com páginas genéricas geradas por IA. Agora os resultados já vem “prontos” com os textos gerados por IA da própria Google, e com “prontos” quero dizer “errados” e/ou “absurdos”. (Pra falar a verdade, li que os jovens hoje em dia nem pesquisam mais no Google quando querem procurar alguma coisa, eles procuram diretamente no TikTok, o que pra mim é inconcebível)
Uma das coisas que mais fiquei fascinado durante a cadeira de Redes de Computadores na faculdade foi descobrir e entender como a Internet surgiu. Surgiu como uma ferramenta poderosa de conexão entre institutos de pesquisa, universidade, compartilhando recursos, trocando informações. Enfim, evoluindo nossa comunicação e nossa capacidade de pensamento como um todo.
Tim Berners-Lee fez uma coisa fantástica ao criar a World Wide Web (nosso WWW, que você pode usar pra acessar esse site), mas não sabia que um dia essa WWW acabaria de forma tão decepcionante. Decepcionante pra mim, é claro, que um dia sonhei esse acessar essa rede mundial de computadores tão vasta e que hoje só encontro repostagem.
Por isso criei o www.calelo.com.br (que, sim, pode ser acessado sem o WWW antes), mas é para manter vivo aquele meio que um dia eu quis acessar quando descobri a internet discada. Usando Internet Explorer. Esse é um site para pessoas. E que mesmo que todos os sites da Rede Mundial de Computadores sejam vendidos para o Facebook, tenham Reels e Shorts ou virem uma única rede social, mesmo que todos os resultados de busca apontem para páginas geradas por IA, ainda existirá o www.calelo.com.br e sempre poderá ser acessado por www.calelo.com.br.
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