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A sutil arte de enrolar e não dizer nada

Muita coisa acontece de uma semana pra outra. Esse é o meu problema (ou desculpa) pra adiar a realização dessa atividade de escrever. Então se tenho algo pra dizer agora eu devo dizer agora, sob pena de não ser mais atual ou perder o sentido. Quase sempre eu tenho algo a dizer sobre tudo. Eu penso sobre tudo. A dificuldade está em me colocar em movimento.

Movimento de escrever, porque pensar eu penso o tempo todo.

Desculpas são muitas, essa da velocidade que as coisas acontecem é uma delas, mas eu poderia transformar em motivação. Se tudo passa, e passa rápido, então a hora deveria ser agora, quando o pensamento vem.

Deveria…
Deveria?

Se eu fosse dono de um jornal diário, sim. Um espaço por dia pra liberar meus pensamentos parece suficiente e exagerado ao mesmo tempo. Correria risco de esgotar assunto antes que eu tivesse me aprofundado.

E uma vez por semana, como nas revistas e colunistas de jornais, é pouco?

Há 2 ou 3 semanas que venho pensando um pensamento que tive enquanto voltava pra casa a pé. Na hora não escrevi porque não tinha onde, pois meu celular já ia descarregar. Tentei transcrever diretamente como quem redigia a um secretário, como se eu fosse alguém importante. Não funcionou.

Gosto do processo de escolher cuidadosamente as palavras. Como o corretor do celular que tenta adivinhar o que quero escrever, vou puxando palavra por palavra na minha cabeça e vou formando frases, às vezes sabendo, às vezes não sabendo onde irei parar.

No momento em que escrevo esse texto estou escrevendo no celular porque uma hora não dá mais pra ficar só no pensamento.

Depois desse primeiro pensamento, aconteceu que minha rotina desconfigurou-se e não tive mais energia para continuar o que comecei. Tudo bem, sem pressa, sem compromisso. Isso não é um jornal diário, eu não sou colunista de uma revista.

Caso você se pergunte sobre o que se tratava esse pensamento, começava com televisão e eu refletia sobre o que havia acontecido comigo naquela semana e nesses anos, puxando por esse fio.

Depois veio uma viagem a Fortaleza. E, cara, quando eu venho (ainda estou no momento) essa cidade sempre mexe comigo e me faz refletir em toda viagem de transporte público.

Esse texto ainda está em fase de pré-elaboração e vai sair em algum momento nos próximos anos.

Mas pra você ver, o que realmente foi a fagulha que disparou a ação de escrever foi um obituário muito tocante escrito pelo filho do genial Washington Olivetto, que nos deixou no começo dessa semana. Mais uma reflexão pra fila. Mas essa ainda furou a reflexão da viagem, porque já gerou a introdução. Elaborarei em um próximo momento.

Texto escrito em 17/10/24 enquanto viajava a Fortaleza.

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