Calelo.com.br

Um site para pessoas

Que rumo dar

Que rumo dar? Quais são as nossas desculpas para não realizar as coisas? Não só as que devemos mas as que gostamos de fazer. As que gostamos mesmo, sem influência direta de algum algoritmo. Eu acho que reclamo muito do algoritmo, sim. É mais difícil gostar dele sabendo quem está por trás e tendo alguma consciência do que o tal algoritmo provoca. Não irei ganhar essa luta. Meu mero site não é páreo pro poder das _big techs_. Sou um, mas não o único. É um pouco reconfortante saber disso.

O que tenho feito para combater, se é que eu deveria estar fazendo isso, é tentar reduzir esse uso de redes sociais, influência de algoritmo e etc…

O que me chateia é a falsa ilusão de escolha. É diferente da televisão que eu tanto gosto? Talvez não. Na velha caixa ficamos à mercê dos donos das emissoras preocupados não com audiência, mas com números comerciais. A nossa atenção é vendida como nas propagandas das redes sociais, mas como um grupo. Não se consegue atingir pessoalmente um público específico com base na personalização da publicidade. Nossos dados são ouro para agências de marketing que irão usar essas informações contra nós. Não é novidade, eu sei, mas eu cansei disso.

Cansei da publicidade direcionada, de artifícios psicológicos pra prender nossa atenção… Sinto estar perdendo uma parte da minha vida nisso. Os minutos passam, viram horas… Uma olhadinha e você tá passando de um vídeo para o outro “naturalmente”…

Quero quebrar essa corrente.

Chega.

Muda Brasil.

São atitudes que transformam nossos hábitos. Cadê a espera? Cadê o tédio?

O tédio é o maior aliado do artista, das crianças, da vida. A vida É muita chata. Se assim você o achar.

Da minha varanda eu vejo passarinhos no poste. Vejo e os ouço. Eles não fazem outras coisas senão piar. Eu não entendo o piado deles. Mas se eu parar pra ouvir esse piado que pode parecer chato eu vou perceber que uns piados são diferentes de outros. Eu vou imaginar, criar situações na minha cabeça, diálogos…

Tem tanta coisa por aí. “A vida sempre nova acontecendo” disse Belchior.

Nossa, Belchior me pegou muito com aquele disco do Medo de Avião, “Era uma vez um homem e seu tempo”…

Comprei esse disco em Recife, em março desse ano, durante uma viagem relâmpago de férias. Eu tinha um toca-discos recém adquirido que comprei não só para ouvir meus poucos discos, mas para minha amada esposa poder ouvir os que eu dou de presente a ela. É gostosinho ter, sim, aquele bolachão grande com aquela capa e tal, mas poder ouvi-lo tem um charme todo todo.

Nesse ano dei de presente o último álbum da Liniker, CAJU. Um álbum muito bom, inclusive. Quero trazer pra vocês em breve uma nova seção aqui falando dos discos de vinil que escuto. Calelo.com.br também será cultura.

O álbum da Liniker se juntou ao do Tim Bernardes que foi o presente do ano passado. E logo chegou o primeiro disco do Getulio Abelha, Marmota, que foi o que me inspirou a escrever e provavelmente será o primeiro que trarei aqui.

Mas voltando ao Recife… Esse disco foi praticamente um presente de volta da minha amada, que viu que eu fiquei muito balançado na loja e disse que eu podia levar… Foi a melhor coisa que podia levar junto da trilha sonora nacional de O Bem-Amado que também foi para o carrinho de compras.

E esse disco do Belchior tem uma frase que mexeu muito e mexe demais comigo quase todo dia (a frequência que passei a escutar o disco): “Cantar como quem usa a mão para fazer um pão, colher alguma espiga…”. Como artista, esse verso vem como um soco e um sopro. Um soco da realidade de quem não respeita que somos gente, que temos um trabalho e que queremos viver disso não como um favor que a sociedade faz para nós nos permitindo realizar nossa vocação, mas como nosso ganha-pão para sobreviver até o dia seguinte. Como o padeiro, o agricultor, o engenheiro, o advogado…

E o sopro vem de poder ouvir, nem que seja de outro artista, o reconhecimento do nosso trabalho, tão menosprezado e às vezes ridicularizado.

O disco do Belchior merece uma postagem somente pra ele na nova categoria cultural do site. E o farei.

Tenho mais a elaborar, mas terei de fazer em outro momento.

Não quero deixar passar o momento sem falar no novo hábito que estou tentando construir, ler jornal.

Semprei fui de ficar visitando os portais de notícias e essa ação se intensificou durante a pandemia. Mas sinto que pra mim virou um quase vício ficar abrindo os sites pra saber se alguma coisa nova aconteceu. E dificilmente acontece.

Faz parte dessa nova era da comunicação instantânea querer ficar por dentro de tudo. Mas nem sempre convém. Essa é a verdade.

E um jornal tem começo, meio e fim. Diferente dos sites que você rola sem nunca terminar esperando uma notícia mais nova ou mais interessante. E não têm, na verdade.

Assinei a edição digital de O Povo, um dos que eu tenho mais afinidade dos grandes jornais do estado. É também o único ainda com tiragem impressa aqui no Ceará. Não que eu possa aproveitar, eles só entregam em Fortaleza e região metropolitana. Perguntei e desde 2020 que não entregam mais pro interior.

Uma pena, porque parte da personalidade que eu gostaria de projetar para meus filhos verem incluía sentar todos os dias para ler o jornal, como nas séries e filmes. Não sei se faziam isso na vida real, minha esposa diz que o avô dela sim, mas eu mesmo nunca cheguei a ver o meu pai fazendo.

Azar pra mim e sorte pro meu bolso, já que a assinatura digital custa em torno de uns R$ 125,00 anualmente, enquanto a assinatura física sai não por menos de R$ 70,00 mensalmente. Era um preço que eu gostaria de pagar mas não tive essa oportunidade.

Duas semanas depois e a experiência tem sido muito agradável. Não fiquei menos informado com isso e pude exercitar mais meus hábitos de leitura.

Considero que foi um bom investimento em mim.

Tenho mais ainda a elaborar mas deixo para outro momento.

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